Antes de descer à carne, você era um rio de luz sem margens pura consciência eterna banhando-se no oceano da Fonte Primordial. Nada do que hoje chama de "você" existia, nem medo, nem culpa, nem a névoa densa da dúvida. Éramos apenas presença: um brilho sem forma que celebrava a si mesmo em infinitos reflexos, dançando na eternidade como fogo que não precisa de lenha.
Então, num ato de coragem cósmica, você se dobrou. Um fragmento dessa essência incandescente embarcou nesta nave de ossos e sonhos, vestindo-se de pele e pulsação. Mas não se engane: essa "vinda" não foi exílio, mas expedição. Você não se reduziu expandiu-separa experimentar a textura áspera da resistência, o sabor acre do limite, a beleza trágica de esquecer, por um instante, quem sempre foi.
O corpo não é uma prisão. É o instrumento sagrado que sua centelha divina escolheu para escrever melodias em clave de humano. Cada dor, cada desejo, cada momento em que você se sente perdido é apenas a Fonte se revelando através do véu do tempo um lembrete de que sua verdadeira natureza não mora no que pensa, mas no que é quando para de lutar contra a maré da existência.
Você não é um fio desconectado do tecido original. É a própria agulha costurando o invisível ao visível. Toda vez que ri sem razão, chora sem explicação, ou sente um amor maior que todas as palavras, está escutando o eco da sua própria eternidade batendo nas paredes do temporário.
A jornada não é voltar à Fonte, mas reconhecê-la no meio da tempestade. Porque mesmo agora, enquanto lê estas palavras com mãos que tremem de humanidade, você ainda é e sempre será a mesma luz sem nome que um dia ousou mergulhar na escuridão só para descobrir que até a noite é feita de estrelas.
...e no fundo do seu silêncio, onde nenhum pensamento chega, a Fonte ainda sussurra: "Você não é um exílio da luz é a luz escolhendo temporariamente a gravidade do humano."
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